Sugestões

A nossa chegada ao Nar-Anon quase sempre se dá num momento de dor, desespero e muita confusão. Perdemos a confiança em nós mesmos, na vida e, às vezes, até em Deus. Então queremos, precisamos e até solicitamos, com insistência, orientação e conselhos ao Grupo e aos companheiros que nos parecem estar mais confiantes, tranqüilos e num rumo certo.

- Por favor, se puderem me dar um retorno...

Nesse instante – Cuidado, Atenção! É envaidecedor e gratificante ouvir pedirem nossa orientação, nossos conselhos. Talvez junto às nossas famílias já não possamos exercer nosso controle, nossa necessidade de “ajudar”. Talvez em nossas casas não queiram mais saber de nossos conselhos, de nossos “palpites”. E agora, ali na sala....
É um momento de parada e reflexão para lembrar que o processo da vida é individual, que somos impotentes perante o outro, que não sabemos o que é melhor e possível para as pessoas em cada momento de suas vidas.

A tomada de atitudes pelos companheiros deve ser coerente com suas descobertas acerca de seus sentimentos, da sua responsabilidade nas questões da própria vida; deve ser respeitosa com o que ele pode a cada dia.

Em razão disso, até mesmo o compartilhar de nossas experiências (“Eu fiz ou não fiz assim...”) deve ser cuidadosamente acompanhado da ressalva de que somos diferentes, temos histórias diferentes, vivemos momentos diferentes, com pessoas diferentes, por mais que as histórias pareçam iguais. Para uma pessoa fragilizada, vulnerável e confusa, nossos exemplos e palavras podem se revestir de um poder muito grande – poder perigoso para nós (sentimo-nos poderosos, vaidosos, conselheiros) e para o outro submisso (sem responsabilidade para vida).
Por outro lado, podemos devolver ao companheiro o poder e a capacidade de achar suas próprias respostas, só por hoje. Aconselhar no NAR ANON é sugerir o olhar para si mesmo, para descobrir-se, cuidar-se, respeitar-se.

É sugerir e indicar tópicos da literatura, os Lemas, os Passos, a freqüência aos Grupos para compartilhar, a Oração da Serenidade, a entrega a um Poder Superior... O aconselhamento aqui se inicia numa atitude receptiva, disponível, do entendimento da dor do outro, plena da empatia que conforta porque nos faz sentir iguais. Desse aconselhamento, que sugere os recursos facilitadores do caminho, mas deixa a responsabilidade do caminhar com o outro, fica entendido que acreditamos na sua capacidade de enfrentar situações, de fazer escolhas, acreditamos no seu poder de modificar-se e à própria vida. É uma forma de ajudar reforçando esperanças e encorajando – É só por hoje! Vá com calma! Você pode!

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